Procedimento estético é considerado danoso à  saúde

Bronzeamento artificial está proibido no Brasil por triplicar o risco de câncer de pele. O protetor solar não bloqueia a ação dos raios, apenas dificulta a absorção deles.

bronzeamento artificialAs câmaras de bronzeamento artificial voltaram a ser proibidas no Brasil. O método usado por homens e mulheres que querem manter, com praticidade, uma cor dourada em qualquer estação do ano está vetado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa.  O órgão acredita que esse procedimento triplica o risco de câncer de pele. A Sociedade de Dermatologia do Rio aponta os efeitos colaterais do serviço, e ressalta a importância de proteção da radiação ultravioleta.                

A coordenadora do Departamento de Fotobiologia da entidade fluminense, Adriana de Carvalho Correa, afirma que o bronzeamento artificial sempre foi considerado danoso entre os dermatologistas.                

“No meio médico, a prática já era considerada perigosa. Mas só agora o Governo deu mais apoio à questão. Os profissionais sabem que a luz é  indutora natural e completa de carcinogênese (câncer). A categoria vem alertando sobre esses riscos há muito tempo. Nos casos mais leves, a repetição desse processo pode causar manchas e envelhecimento precoce”.                

Pesquisadores da Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde, ressaltou a inserção da exposição às radiações ultravioleta na lista de práticas e produtos carcinogênicos para humanos. O estudo aponta que a prática do bronzeamento artificial aumenta em 75% o risco do desenvolvimento de melanoma em pessoas que se submetem ao procedimento até os 35 anos de idade.                

“Quanto maior o tempo de exposição ao procedimento de bronzeamento artificial, maiores as chances de se desenvolver câncer. E é importante ressaltar que o protetor solar não bloqueia a ação dos raios. Esse produto apenas dificulta a absorção deles. Logo, os efeitos danosos são retardados, mas não eliminados”, explica Adriana de Carvalho Correa.                 

A resolução da Anvisa também afirma que não existem benefícios que se contraponham aos riscos decorrentes do uso estético das câmaras de bronzeamento.                

A proibição não se aplica aos equipamentos com emissão de radiação ultravioleta destinados a tratamento médico ou odontológico.                

Motivo – A proibição do uso de câmaras de bronzeamento artificial reverte uma tutela concedida à Associação Brasileira de Bronzeamento Artificial, que autorizava os equipamentos em clínicas de estética em vários estados do Brasil. No dia 11 de novembro de 2009, as câmaras de bronzeamento artificial foram proibidas para fins estéticos no país. No início de janeiro, as câmaras foram liberadas em alguns estados. E agora, para manter a cor dourada da pele só com sol e protetor solar.                

“Quem quer tomar sol e manter a pele em dia com o bronzeado deve usar uma camada generosa de protetor solar. E se lembrar sempre de reaplicar o produto a cada duas horas”, disse a coordenadora do Departamento de Fotobiologia da Sociedade de Dermatologia do Rio                

A decisão da Anvisa levou em consideração as discussões com a sociedade em uma consulta e uma audiência públicas, realizadas em setembro de 2009.

Thaís Dias
Jornalista

 

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