20 Maio 2009
O chá é originário da China, e só chegou à América no século 17. Rotas comerciais se estabeleceram da China, Índia e Indonésia. Mais tarde, da Rússia e do Quênia. Existem três tipos de chá: verde, oolong e preto. Não são os tipos de folha que fazem a diferença do chá e sim como são processados.
O chá verde, tão em moda agora, omite o estágio de fermentação. Já o chá oolong é fermentado por um período mínimo e para obter-se o chá preto, a fermentação é mais longa. As folhas ficam oxidadas numa atmosfera úmida, o que lhe confere uma coloração escura.
O costume de tomar chá, na Inglaterra, foi introduzido pelos homens. Eles já tinham os Coffee Houses, reduto estritamente masculino, que passou a servir chá. O preço era alto e não sei se, por economia ou cautela, as senhoras resolveram introduzir o costume nos seus lares, quem sabe para atrair os maridos fujões de volta para casa, usando a astúcia feminina: “Vamos poupar, querido!”.
Misturar sabores tornou-se uma arte. No século passado, os ambientes requintados eram disputados pelas damas da sociedade. Quem não freqüentou ou ouviu falar do chá da Colombo no Rio de Janeiro e do chá do Renner em Porto Alegre? Um rentável negócio pela novidade e elegância. Como tudo vem e vai, mas de maneira diferente, o costume de tomar chá retornou agora com outra roupagem. Executivos convidam empresários para um chá para tratarem de negócios. O local pode ser um hotel ou um clube. É um convite charmoso. A lacuna de casas de chá nas cidades obrigou as senhoras a fazerem seus chás em casa, tanto para aniversários como para socializar.
Os sabores se multiplicaram, sendo mais indicado para o verão os de fruta e flores.
Para mulheres sofisticadas, existem os exóticos: Earl Gray, rum, amêndoa, gengibre, baunilha e lavanda.
Caso você seja da ‘geração saúde’, inove servindo tisanas: camomila, macela, hortelã ou melissa.
Tisana, chá medicinal ou chá branco.
Segundo Aurélio, tisana, além de ser um cozimento de cevada é um medicamento líquido, que constitui a bebida comum de um enfermo: “... E entretanto, em Lisboa, fundava-se uma Ervanária para vender ingredientes resultantes de vapor de água, mandésios, tisanas, ervagens colhidas à meia noite nos cemitérios.”
As atuais pesquisas químicas cada vez mais vão em direção da fitoquímica .A flora brasileira é vasta e pouco desvendada. Folhas, flores, raízes e óleos extraídos das plantas, foram usados pelo Homem ao longo dos séculos, tanto para alívio de dores como para rituais religiosos.
Devemos usar mais as tisanas. O uso de plantas selecionadas pode resolver vários problemas de saúde nas afecções mais simples.
Vale lembrar que a planta é um ser vivo e, como tal, é produto do meio ambiente e do metabolismo de suas células. Uma planta sadia, que vive num ambiente sem ou com pouca poluição, nutrida adequadamente pelo solo e luminosidade, terá maior valor terapêutico.
Tal qual o Homem, ela é influenciada pelo clima, luz, seca, ventos e muito por quem cuida delas. A estação do ano, a hora em que for colhida também fazem diferença – o forte sol forte a deixa mais desidratada e o orvalho, mais úmida. Eis a importância de se respeitar a natureza, ela retornará com maior ou menor efeito na tisana. O chá nos ensina a ter perseverança, paciência e fé.
Citando George Washington Carver, o mago de Tuskegee: “Os segredos estão nas plantas. Para descobri-los, você tem de amá-las muito. Todos podem descobrir, desde que acreditem.”
