
A comunidade judaica do Rio Grande do Sul, através da Federação Israelita do Rio Grande do Sul - FIRGS - comemora em 2004 os 100 anos do início da imigração judaica no Estado. O Centenário da Primeira Imigração Judaica Organizada para o Brasil vem promovendo ações culturais e ampla programação artística especialmente criada para marcar o ano do centenário. Com apoio do Governo do Estado o projeto promove concerto da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre - OSPA, lançamento de livro e documentário, exposição de artes plásticas e de documentos e fotografias, criação de um espaço museológico e selo comemorativo.

A FIRGS resgata a memória e mostra à comunidade gaúcha as raízes do povo judeu. Celebra a integração e a maneira como o Brasil foi construído por diversas etnias que criaram uma nova sociedade sem perder suas tradições. A comemoração do centenário mostra a contribuição da comunidade judaica neste mosaico de etnias: Hoje somos brasileiros, mas nossos antepassados eram estrangeiros que foram recebidos com generosidade pelo povo gaúcho. Além disso, nossa contribuição cultural e social também foi importante para o desenvolvimento de um estado democrático como o nosso. A comunidade judaica do Rio Grande do Sul, através da Federação Israelita do Rio Grande do Sul - FIRGS - comemora em 2004 os 100 anos do início da imigração judaica no Estado. O Centenário da Primeira Imigração Judaica Organizada para o Brasil vem promovendo ações culturais e ampla programação artística especialmente criada para marcar o ano do centenário. Com apoio do Governo do Estado o projeto , representante da FIRGS no Conselho Deliberativo das comemorações, completa dizendo que "os imigrantes aqui chegaram sem saber o que iam encontrar, trazendo muita esperança na bagagem. Hoje vivemos em um país livre e podemos manter nossas tradições, graças a eles. Por isso, é necessário relembrar essa saga".
Estima-se que a comunidade judaica no RS tenha cerca de 12 a 13 mil integrantes.
Atividades
Entre as diversas atividades culturais e sociais que estão marcando o Centenário destacam-se o Concerto do Centenário e as sessões de homenagem na Assembléia Legislativa do RS, Câmara Municipal de Porto Alegre e Palácio Piratini.
O Concerto do Centenário aconteceu no dia 12 de agosto, no Teatro do Sesi, com a OSPA, sob a regência do maestro Isaac Karabtchevsky. As peças escolhidas para o concerto foram na sua maioria de famosos compositores judeus.
De 11 a 18 de outubro, semana que marca a data em que as primeiras famílias de imigrantes judeus chegaram ao Brasil, realizaram-se os seguintes eventos: 13 de out - na sede do Ministério Público Estadual, um painel e uma exposição - Reflexões sobre a Imigração Judaica para o Rio Grande do Sul. O evento inclui homenagem à primeira Promotora Pública no Brasil, Sofia Galanternick (gaúcha descendente desta imigração), e painel com os palestrantes: o Min. aposentado do STF - Mauricio Correa, o escritor Moacyr Scliar e o psicanalista Abrão Slavutzky.

O Projeto Memória, acervo do Instituto Cultural Judaico Marc Chagall, localizado no 2º andar da sede da FIRGS, marca o reinício das atividades do Museu Nacional das Migrações Judaicas. Fotografias, objetos trazidos pelos imigrantes e documentos históricos que traçam um panorama da imigração judaica no Brasil vão estar em exposição permanente.
O livro Cem Anos de Amor ?A Imigração Judaica no Rio Grande do Sul resgata a memória da imigração e suas conseqüências, através de textos de escritores, historiadores, psicólogos, sociólogos e psicanalistas e de vários documentos e fotos além de outros documentos fornecidos pelas famílias da comunidade. Destinado também a escolas do 2º grau, o livro reúne artigos que contam a história da comunidade em linguagem didática e agradável.
A FIRGS pretende produzir também um documentário em 16mm que aborda a saga dos imigrantes até os dias atuais. Dirigido por Jaime Lerner e produzido por Beto Turquenitch. O documentário será distribuído para 500 empresas e instituições do Estado, além de sua veiculação nos canais abertos de televisão.
A FIRGS está gestionando junto à Prefeitura Municipal a doação de um local, no Bairro Bonfim, para a construção de um monumento cujo autor vai ser escolhido por concurso.
O Departamento de Educação e de Cultura está planejando a distribuição de "kits" estudantis na rede estadual e municipal, com material educativo e lúdico sobre a Imigração, além da realização de concursos de monografias para alunos universitários.
A Imigração - História
A comunidade judaica é uma minoria inserida e integrada na sociedade brasileira, em particular no RS, que possui tradição e cultura características, consolidadas há mais de 2 mil anos. A religião monoteísta judaica foi criada pelo profeta Abrahão há quatro mil anos e desde então o povo judeu vivia em sua terra de Israel. Com a destruição do Segundo Templo pelos romanos e a conseqüente dispersão do povo de Israel, os judeus passaram a ser perseguidos, confinados e discriminados, criando as bases do anti-semitismo.
Como conseqüência das dificuldades econômicas da Europa, no início do século passado, e das perseguições religiosas e sociais sofridas em seus países de origem, muitos judeus vieram para o Brasil em busca de uma vida melhor.

Em 1891, o Barão Maurice de Hirsch ( banqueiro de origem judaica - alemã e radicada na França), preocupado com a perseguição ao povo judeu, especialmente aos judeus russos, criou a Jewish Colonization Association - ICA, com o objetivo de organizar e instalar colônias agrícolas no Brasil, Argentina e Canadá. O ano de 1904 marca a chegada dos imigrantes judeus ao Brasil, mais precisamente à Colônia de Philippson, próxima a Santa Maria, no Rio Grande do Sul, primeira colônia judaica, instalada organizadamente no país. A Colônia recebeu esse nome em homenagem a Franz Philippson, então vice-diretor da ICA e presidente da Compagnie Auxiliaire de Chemin de Fer au Brésil, que atuava no RS. Os primeiros imigrantes - cerca de 37 famílias - vieram principalmente da Bessarábia, região russa banhada pelo Mar Negro. Mais tarde, judeus vindos da Polônia, Rússia, Alemanha, Argentina e outros países instalaram-se no Brasil.

A maioria dos imigrantes eram artesãos que se tornaram agricultores por programação da ICA. Na nova terra os imigrantes receberam lotes de 25 a 30 hectares, pequenas casas de madeira, animais, instrumentos agrícolas e sementes, com financiamento em longo prazo. Os judeus que vieram desconheciam a língua, o ofício de agricultor e a geografia do lugar, mas foram acolhidos generosamente pelo povo do Rio Grande do Sul.

Entre 1911 e 1914 mais famílias imigraram para o Rio Grande do Sul, instalando-se na Fazenda Quatro Irmãos, região de Passo Fundo. Muitas famílias continuam na região e alguns de seus descendentes são fazendeiros no local onde seus pais e avós se instalaram inicialmente.

O que os imigrantes mais valorizavam era a educação dos filhos, único bem que não lhes poderia ser tirado. A primeira integração entre a comunidade judaica e os brasileiros veio através da educação. Os imigrantes fundaram uma escola na Colônia de Philippson, cujo ensino era realizado em português e acolhia também os brasileiros, filhos dos colonos e trabalhadores da região. Nos anos 20 começa uma outra etapa no processo de migração: em busca de estudos mais adiantados para os filhos, muitos judeus instalaram-se nas grandes cidades do Estado, tornando-se comerciantes. Eles se dirigiram para Santa Maria, Erechim, etc, e muitos para Porto Alegre, concentrando-se no bairro Bom Fim. Durante a década de 30 predominou a imigração de judeus vindos da Polônia. Artesãos, alfaiates e marceneiros poloneses vieram para o Bom Fim e criaram sua associação, o Poilisher Farband, que prestava assistência e apoio aos novos imigrantes. A partir de 1933, quando Hitler assume o poder na Alemanha, chegam ao Brasil os judeus alemães, entre eles muitos intelectuais e profissionais liberais, que fugiam de seu país ameaçados e perseguidos pelo nazismo.

Na década de 50, no período do governo de Nasser, judeus expulsos do Egito chegam em Porto Alegre. Sua Sinagoga foi construída no Centro Hebraico.
Em 1963, os judeus alemães fundam a Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência - SIBRA.
O forte espírito comunitário fez com que os judeus se apoiassem e superassem as dificuldades iniciais; logo passaram a ocupar uma posição de destaque na área cultural e artística, no comércio, na indústria e na construção civil. Seus filhos ingressaram nas universidades, tornando-se intelectuais, professores, profissionais liberais, etc, facilitando o processo de integração da comunidade judaica na sociedade do RS.
Além disso, principalmente as comunidades de Santa Maria, Passo Fundo e Erechim continuam atuantes e harmonicamente integradas na comunidade maior.
Cem anos depois, a comunidade judaica no estado já totalmente integrado à cultura gaúcha sem perder sua identidade, vem cultuando sua sólida tradição, marcada por vínculos de religião, culinária, música, dança e solidariedade social. Hoje os judeus de diversas origens e diferentes costumes vivem uma grande integração, formando uma comunidade dinâmica e harmônica.
Linha do Tempo
- Mais de quatro mil anos - criação do monoteísmo e da religião judaica pelo profeta Abrahão
- 1891 - criação da Jewish Colonization Association - ICA, pelo Barão Maurice de Hirsch
- Início do século passado - começo da imigração, organizada pela ICA, dos judeus europeus.
- 18 de outubro de 1904 - chegada dos primeiros imigrantes judeus à Colônia de Phillippson
- 1911 a 1914 - famílias judias do leste europeu chegam à Fazenda Quatro Irmãos em Passo Fundo.
- Década de 20 - instalação dos judeus nas grandes cidades, em busca de estudo para os filhos.
- Década de 30 - imigração de judeus vindos da Polônia. Criação do Poilisher Farband, associação dos judeus poloneses.
- 1933 - inicio da imigração dos judeus alemães, perseguidos pelo nazismo,
- Década de 50 - judeus expulsos do Egito vêm para Porto Alegre.
- 1961 - Fundação da Federação Israelita do RS ? FIRGS.
- 1963 - fundação da Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência - SIBRA, pelos judeus alemães.
- Década de 90 - construção da sede da FIRGS.
Federação
A Federação Israelita do Rio Grande do Sul foi fundada em 1961 com o objetivo de unir a comunidade judaica do estado. A FIRGS é responsável pela projeção, promoção e realização dos eventos da comunidade judaica no Rio Grande do Sul. Na década de 90, a FIRGS construiu sede própria, que abriga a Sinagoga da Associação Israelita Maurício Cardoso, o Museu Nacional das Migrações Judaicas e diversas entidades como a NA'AMAT Pioneiras, Fundação Kadima, o Fundo Comunitário, a WIZO RS, a B'nai B'rith e a Ecibras, mantenedora do Lar da Criança Anne Frank. A Federação congrega 36 entidades judaicas no Estado, instaladas nas cidades de Porto Alegre, Rio Grande, Pelotas, Santa Maria, Erechim e Passo Fundo.
A FIRGS, em convênio com a UFRGS, criou o Núcleo de Estudos Judaicos que oferece cursos de extensão em cultura judaica e de língua hebraica, além de promover eventos que mostram à comunidade os costumes e tradições judaicas. Entre 1991 e 1994, a FIRGS realizou uma pesquisa demográfica e sócio-econômica, que permitiu um retrato da realidade das comunidades judaico-riograndenses, refletindo suas tendências e mudanças.
A FIRGS publica um jornal informativo e promove congressos e outros eventos com o objetivo de aproximar as entidades judaicas do Estado entre si e com a sociedade maior.
Contatos
Federação Israelita do Rio Grande do SulRua João Telles, 329 - Bairro Bom Fim - Porto Alegre - RS.
Fone: 51 3311 0379 / fax: 51 3311 1737 - CEP 90035-120
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