É cada vez maior o número de pessoas que se aventuram a lugares pouco conhecidos e inóspitos, sem abrir mão de um certo conforto e muita paisagem deslumbrante. E assim é o Jalapão, uma reserva de 34.000 km², no Tocantins. A capital do mais novo Estado do Brasil é Palmas, distante 1.776 quilômetros de S. Paulo. Exceto a capital, não há infra-estrutura neste lugar, o posto de saúde mais próximo, fica na cidade de Ponta Alta, porta de entrada do Jalapão.

Sempre nos intrigam os nomes dos lugares, assim é Jalapão, nome de uma planta trepadeira, com flores coloridas e tubérculos purgativos.

Um pacote de seis noites, traslados, duas noites de hospedagem em Palmas, com café da manhã e quatro noites na excursão, com pensão completa e passeios, custa por volta de R$ 1.700,00 por pessoa, em acomodação dupla, sem a passagem aérea. Com tração 4x4, é possível ir do seu lugar de origem até lá. As estradas são sinalizadas, poucos postos de gasolina e remotíssima chance de encontrar ajuda ? cerca de 1,2 habitante/km².

Partindo de Palmas, o rumo é Ponte Alta do Tocantins, com direito a um banho no rio da cidade. Tem gente que se joga da ponte, extravasando energia. A próxima parada é a Fenda Suçuapara (veado curvo, em tupi), com 60 metros de comprimento e 15 de largura e a Cachoeira do Lajeado, com inúmeras pequenas quedas de água.

Se você adora água, há o famoso Fervedouro, lugar onde jamais se afunda e quando se bate palmas ou se grita, surgem bolhas do fundo. Mistério que a ciência explica. O fenômeno é denominado de ressurgência das águas ? sob a piscina há um lençol freático e, abaixo, uma rocha impermeável. Como não há vazão pela rocha, a água nasce e jorra com toda a pressão.

As cachoeiras do Rio Formiga e da Velha, com 25 metros de queda, são formadas pelo Rio Novo, o maior rio de água potável do mundo. Ele lembra duas ferraduras, com cerca de 100 metros de largura e a Prainha da Velha.

Se você não liga para a poeira, seu destino será o Mirante da Serra do Espírito Santo ou as dunas, indo até Mateiros, um dos limites do Parque.

O pôr-do-sol é fantástico, seguido de tantas estrelas quantas jamais teríamos imaginado, vivendo em cidades poluídas.

Para reanimar os aventureiros, inventaram o jalapower, à base de guaraná e suco de caju. Por medida de segurança, não é permitido fumar no veículo da excursão e nas barracas do acampamento.

As dunas mudam de cor ao longo do dia, passando do bege ao laranja-rosado. Elas podem ter uns 25 metros de altura. O vento está sempre transformando o cenário. Devido à preservação do meio ambiente, só é permitido caminhar neste local. Leve botas, pois há a possibilidade de se deparar com alguma cobra. Não se recomenda fazer o passeio do Mirante da Serra do Espírito Santo e das dunas no mesmo dia, por ser muito cansativo.

Em Mateiros, existe o artesanato feito com o capim dourado e a seda do buriti. As artesãs fazem peças lindas com este material, tal como cestos, bolsas, jogos americanos, enfim, uns cinqüenta objetos. Para ter uma idéia de preço, uma bolsa lá é vendida por R$ 25,00, em Palmas passa para R$ 200,00 e no exterior US$ 500.00!

A colheita do capim dourado ocorre uma vez por ano, em geral em setembro. Como é moda e a procura é grande, dizem que já exportam para dezoito países.

Para finalizar, só viaje com veículo 4x4, embora há quem diga ser possível com outro carro. A gasolina, quando disponível, é caríssima. Encha o tanque em Ponte Alta, Mateiros, São Felix e Novo Acordo.

Tenha sempre água e alguma comida consigo. Não leve nada desnecessário. A capacidade de carga na excursão é, no máximo, 20kg por pessoa. Leve tênis e bota para caminhada, tênis velho para canoagem, calça comprida e camiseta de manga longa, agasalho para a noite. Chapéu e protetor solar, repelente, roupa para banho no rio, lanterna com pilhas extras, toalhas de banho e cantil.

O Jalapão tem uma forma ovalada, com cerca de 500 km. Siga a estrada com os postes de luz elétrica, só saia dela se tiver certeza de alguma atração. Lembre que não há sinal para celular. No acampamento da excursão tem telefone via satélite para emergência.

É um destino incomum para a maioria dos turistas, mas este deserto do Jalapão é um oásis, onde as cachoeiras e os rios cristalinos estão por toda parte, foi tudo isto que me contaram uns amigos aficionados por desafios, o que não é o meu caso.


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