O lento descer do sol, no horizonte reto do Guaíba, nestes dias de clima ameno e cálido, é de tirar o fôlego e de acalmar todas as inquietudes.
Não nasci em Porto Alegre, mas o que importa? Esta é a cidade que eu amo, e a cada ano, ela me encanta e comove mais e mais nas evocações de sua história gloriosa, no pulsar nervoso de suas vias e artérias, nas promessas radiosas do futuro.
Amo esta cidade, os oásis urbanos dos seus parques, jardins e praças, que testemunham o civilizado apreço dos seus habitantes pela mãe-natureza. Amo as extremosas, os jacarandás, ipês e flamboaiãs que se espalham nas ruas e vilas, com suas flores e cores, recendendo os suaves aromas da estação.
Em cada retorno saudoso à terra, me emociono como da primeira vez, ao avistar o magnífico cenário daqueles rios e canais que desembocam no Guaíba, e do limite das águas, a cidade que se alevanta, vibrante e vertical.
Devem existir, no vasto mundo, outros ocasos bonitos. Mas que me perdoem os demais. O lento descer do sol, no horizonte reto do Guaíba, nestes dias de clima ameno e cálido, é de tirar o fôlego e de acalmar todas as inquietudes. As tonalidades rubras e douradas se alternam diante dos olhos atônitos de quem se entrega à emoção de apreciar e admirar. No momento mágico, podemos voltar os olhos para o céu e, agradecidos, dizer que a beleza existe. Deus existe!
Gosto da brava, bela e hospitaleira gente desta cidade. Os porto-alegrenses têm por costume o gesto e a palavra franca; trazem consigo o orgulho altivo de pertencer a este território; exigem respeito e com respeito tratam os semelhantes. Cultuam o bem, a paz e a justiça. Compartilham a jornada e vivem em comunhão com os outros a aventura da vida.
Nesta Porto Alegre tocada pela mão delicada de Deus e pela mão calejada do homem, onde convivem de forma tão harmoniosa e fecunda, o contemporâneo e a tradição, a ciência e a arte, a razão e a paixão, em dia tão especial, celebro com o peito cheio de amores a cidade, nos seus 237 anos de vida.
Nelson Wedekin
Presidente APLUB
