
Distante 158 km de Florianópolis e 23 km de Tubarão, Gravatal tem como sua maior atração as Termas, que ficam a pouco menos de 5 km da cidade.
Situada na Serra do Rio do Rastro, esconde antigas atividades vulcânicas, lavas basálticas e a fantástica água radioativa, que tem uma vazão de 2.000 litros por minuto à temperatura de 37ºC. É considerado o maior complexo hidromineral do sul do País.
Estas águas estão a uma profundidade de 1.220 metros, e em seu conteúdo mineral superam as de Baden-Baden, na Alemanha. Só está acima da nossa fonte catarinense Aux-Les Thermes, na França.
São indicadas para o tratamento de reumatismo, asma, bronquite, úlcera, cálculo renal, hipertensão, dermatoses, neurite e ação rejuvenescedora, entre outros.
Os portugueses levaram quase 200 anos para assumir a capitania, e mais 100 para trazer os primeiros colonos açorianos para essa região. Será daí a nossa herança em demorar tanto para tomar posições?
Mesmo com as péssimas estradas brasileiras, fica difícil avaliar a ousadia dos antigos colonizadores, em entrar pela mata, relacionar-se com os índios, aprender com eles a sobreviver e, posteriormente, subjugá-los. Infelizmente, foi isso o que aconteceu.Em meados de 1800 e início de 1900, vieram os imigrantes italianos e alemães.
Os colonos aprenderam com os nativos à fabricar farinha de mandioca, a cultivar milho, abóbora, melancia e a pesca artesanal. As mercadorias produzidas ali, entre Tubarão e Gravatá - nome primitivo de Gravatal - eram transportadas em canoas, pelo rio que ia até Laguna.
Muita coisa mudou desde então: as antigas plantações e engenhos fazem parte do passado, bem como o rio, que de tão drenado e aterrado deixou de ser um rio para se transformar num córrego.
O início do turismo nas águas termais do Gravatal deve-se à Pedro Zappelini, cuja família, italiana, chegara na localidade entre 1880 à 1885.
Observou que os jovens banhavam-se no rio, mesmo no inverno, devido à temperatura quente da água. Resolveu comprar as terras, que pertenciam a uma família alemã, chegados ali por volta de 1910. Escriturou a terra no nome dos filhos, nascidos no Brasil, talvez para evitar aborrecimentos jurídicos na exploração da lavra e pesquisa da fonte radioativa. Os exames da água revelaram grande poder terapêutico. Com uma forte determinação, somente com trabalho manual, desviou o leito do rio. Tornou-se o senhor do ?vale dos milagres?, nome que os moradores davam ao lugar, devido às curas espantosas de moléstias consideradas crônicas.
São incontestáveis os benefícios da água. Ela regula nossa temperatura, leva nutrientes às células, purifica e hidrata. Mais importante do que a água, só mesmo o oxigênio.
O resultado do tratamento reflete-se na pele que, embora impermeável aos líquidos, é permeável aos íons e gases. Essa liberação dos gases radioativos pode ser sentida quando se inala o vapor nas piscinas e nos banhos.
Pele seca, dor de cabeça, fadiga, e outras complicações, podem ser amenizadas pelo maior consumo de água. Estas ponderações fazem parte do dia-a-dia nas termas: beber água, banhar-se, e utilizar a lama como tratamento corporal e facial.
Hoje, a pacata vila é também conhecida pelo número de lojas; cerca de 150 pequenas empresas que fabricam e vendem, na sua maioria, artigos de malha e artesanato, com um preço muito competitivo.
No final do dia, é comum observar-se as senhoras, quais andorinhas retornando ao ninho, caminhando rumo aos seus hotéis, com sacolas repletas de compras.
Próximo de Gravatal, a 32 km, fica São Martinho, cidade de colonização alemã, que dispõe de um parque ecológico e banhos de cachoeira.
Deleite para os motoqueiros, a Serra do Rio do Rastro, a 63 km de Gravatal, tem 12 km de estrada encravada em rocha natural. A altitude é de 1.460 metros acima do nível do mar.
Mas se preferir ficar no seu hotel, quase todos oferecem piscinas com água termal, hidroginástica, tênis, bocha, caminhadas e cavalgadas. Duas sessões diárias de cinema, além de jogos de carta e bingo. Recreação para crianças e adolescentes também estão disponibilizadas para os hóspedes.
E, o que é mais importante, cuidar-se e usufruir desta fonte de saúde.
(Pesquisa: extraído do informativo AGESC(Associação Profissional dos Geólogos de Sta. Catarina, ed. Março 1984- Jornal Diário do Sul / cadernos)
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