TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE

Digamos que o seu filho, que começou há pouco a frequentar a escolinha, traz, frequentemente, reclamações da professora  acerca do comportamento inadequado em sala de aula.  Ele com frequência não consegue parar sentado na cadeira, tem dificuldades em se concentrar e prestar atenção a orientação da professora, parece não escutar quando lhe falam diretamente, não percebe detalhes em tarefas, aparenta viver no mundo da lua ou ligado em 220V. Na escola ele não está conseguindo aprender no mesmo ritmo que as outras crianças, tendo um prejuízo claro no desempenho.  Você percebe que em casa e em, praticamente, todos os ambientes em que vai com ele, esse é o padrão de comportamento de seu filho. Devido a isso, o relacionamento dele com os pais também pode estar prejudicado, pois constantemente precisa que lhe chamem a atenção por não parar quieto e por estar sempre agitando alguma coisa.

O exemplo relatado acima é de um paciente que tem Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Esse transtorno, geralmente, começa na infância, causa prejuízos em várias esferas da vida (escolar, familiar, relacionamentos), e costuma aparecer em todos os ambientes em que a criança se encontra.  Embora os sintomas de agitação e falta de concentração sejam predominantes, é perfeitamente aceitável que a criança, mesmo tendo o transtorno, permaneça por várias horas na frente do videogame, ou que ao chegar na frente do médico fique completamente parada, com comportamento totalmente diferente do seu normal.

Crianças, adolescentes e adultos, com suspeita de TDAH, devem ser avaliados por um médico, de preferência psiquiatra, que fará uma avaliação completa do paciente. Muitas vezes, os sintomas apresentados são decorrentes de outras doenças.  Por exemplo: a criança pode estar agitada porque está ansiosa, ou, então, pode estar com dificuldade em prestar atenção pois está com depressão.  Além de causas psiquiátricas, doenças clínicas, como a desnutrição, podem simular sintomas de TDAH. Muitos pacientes podem permanecer com os sintomas mesmo na idade adulta, enquanto que outros apresentam remissão completa do quadro, a ponto de não precisar mais fazer tratamento.

O tratamento, ao contrário do que se imagina, é feito com medicações estimulantes. Enquanto que nas pessoas sem TDAH esta medicação pode causar agitação e ansiedade, nas pessoas que tem o transtorno a medicação faz o efeito contrário, diminuindo a agitação e melhorando a capacidade de concentração.

Além do tratamento medicamentoso, a psicoterapia, em especial a terapia cognitivo-comportamental são muito importantes como adjuvantes no controle dos sintomas.

Dra. ANA LUIZA GALVÃO
Psiquiatra
com colaboração
Dra. Dayane Diomário da Rosa e Dra. Alice Sibile Koch

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