Com o aumento do número de casos de influenza A, o Ministério da Saúde e especialistas tiram dúvidas sobre a doença.

O Ministério da Saúde informou que 60% dos resultados de testes de gripe no país confirmaram o vírus da nova gripe. Diante do aumento dos casos e da preocupação da população, o Corpo Saudável esclarece as dúvidas mais freqüentes sobre a doença com dados do Ministério da Saúde e de especialistas.

Como se prevenir da doença?
Alguns cuidados básicos de higiene podem ser tomados, como: lavar bem as mãos freqüentemente com água e sabão, evitar tocar os olhos, boca e nariz após contato com superfícies, não compartilhar objetos de uso pessoal e cobrir a boca e o nariz com lenço descartável ao tossir ou espirrar.

Os hospitais estão preparados para atender pacientes com a nova gripe?
Atualmente, o Brasil possui 68 hospitais de referência para tratamento de pacientes graves infectados pelo novo vírus. Nestas unidades, existem 900 leitos com isolamento adequado para atender aos casos que necessitem de internação. Todos os outros hospitais estão preparados para receber pacientes com sintomas leves de gripe.

O que fazer em caso de surgimento de sintomas?
Se você tiver sintomas como febre repentina, tosse, dor de cabeça, dores musculares, dores nas articulações e coriza, procure um médico ou um serviço de saúde, como já se faz com a gripe comum. Nos casos de agravamento ou de pessoas que façam parte do grupo de risco, os pacientes serão encaminhados a um dos hospitais de referência.

Qual a diferença entre a gripe comum e a Influenza A?
Os sintomas são muito parecidos e se confundem: febre repentina, tosse, dor de cabeça, dores musculares, dores nas articulações e coriza. Por isso, não importa, neste momento, saber se o que se tem é gripe comum ou a nova gripe. A orientação é, se tiver  algum desses sintomas procure seu médico ou vá a um posto de saúde. É importante frisar que, na gripe comum, a maioria dos casos apresenta quadro clínico leve e quase 100% evoluem para a cura. Isso também ocorre na nova gripe. Em ambos os casos, o total de pessoas que morrem após contraírem o vírus em todo o mundo é, em média, de 0,5%. Não há motivo para alarme.

Quem está no grupo de risco?
O grupo de risco é composto por idosos, crianças menores de dois anos, gestantes, pessoas com diabetes, doença cardíaca, pulmonar ou renal crônica, deficiência imunológica - como pacientes com câncer, em tratamento para AIDS -, pessoas com obesidade mórbida e também com doenças provocadas por alterações da hemoglobina, como anemia falciforme.

Existe transmissão sustentada do vírus da nova gripe no Brasil?
Desde 24 de abril, data do primeiro alerta dado pela Organização Mundial da Saúde sobre o surgimento da nova doença, até o dia 15 de julho, o Ministério da Saúde só havia registrado casos no país de pessoas que tinham contraído a doença no exterior ou pego de quem esteve fora. No dia 16 de julho, o Governo Federal recebeu a notificação do primeiro caso de transmissão da Influenza A no Brasil sem esse tipo de vínculo. Trata-se de paciente do Estado de São Paulo, que morreu no último dia 30 de junho. A partir daí, surgiu a primeira evidência de que o novo vírus está em circulação em território nacional.

Qual é a previsão de produção da vacina contra o vírus no Brasil?
O Instituto Butantã, ligado à Secretaria de Saúde do Governo do Estado de São Paulo, é responsável no Brasil por desenvolver as vacinas contra a gripe comum e estará à frente também do desenvolvimento da nova gripe. A vacina a ser produzida no Brasil estará disponível no próximo ano. Além de desenvolver a vacina, o Governo Federal a necessidade de comprar vacinas prontas de outros fabricantes.

Por que o exame laboratorial parou de ser realizado em todos os casos suspeitos?
Essa mudança ocorreu porque um percentual significativo — mais de 70% — das amostras de casos suspeitos analisados em laboratórios de referência, antes dessa mudança, não era da nova gripe, mas de outros vírus respiratórios, ou não era de nenhum vírus. Com o aumento do número de casos no país, a prioridade do sistema público de saúde é detectar e tratar com a máxima agilidade os casos graves e evitar mortes.

Como é realizada a distribuição do medicamento? E posso procurar por contra própria ?
A distribuição dos medicamentos é centralizada. O Ministério da Saúde envia os remédios aos estados, respondendo às solicitações das Secretarias Estaduais de Saúde. Cabe a elas não só indicar as unidades de referência no atendimento da nova gripe, como também ampliar o número de unidades para realização do tratamento. Outras unidades podem ser indicadas para atender os casos e usar o antiviral. Não é aconselhável tomar medicamentos por conta própria. A automedicação pode prejudicar o tratamento tanto no caso da gripe normal quanto na influenza A,

O Brasil tem medicamento suficiente para enfrentar a nova gripe?
Segundo o Ministério da Saúde, há medicamento suficiente para enfrentar a pandemia de influenza A. O Governo Federal tem um estoque de 9 milhões de tratamentos em pó. Eles foram adquiridos em 2005, época de uma possível epidemia de gripe aviária. Além disso, a União recebeu mais 50 mil tratamentos neste mês de julho. Nas próximas semanas, será um milhão a mais de medicamentos disponíveis, além do que está estocado em pó.

O Ministério da Saúde mantém no site www.saude.gov.br informações atualizadas sobre a gripe A. Além disso, o órgão disponibiliza o atendimento telefônico gratuito pelo Disque Saúde 0800 061 1997. Dúvidas também podem ser esclarecidas no endereço eletrônico: www.riocontraagripeA.rj.gov.br.

SINTOMAS GRIPES

Nova gripe

  • Febre acima de 38 graus
  • Tosse
  • Dor de cabeça
  • Dores musculares
  • Dor de garganta
  • Coriza
  • Às vezes, vômitos e diarréia
  • Falta de ar é um indício de piora

Gripe comum
  • Febre alta
  • Espirros
  • Tosse quase sempre seca
  • Dor de cabeça
  • Dores musculares
  • Dores de garganta
  • Coriza

Thaís Dias
Jornalista

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