Disfunção masculina

A ejaculação precoce passou a ser entendida como uma disfunção sexual somente a partir da década de 70. Até essa época, o sexo era visto apenas como um fim reprodutivo, levando a mulher a entendê-lo apenas como mais uma tarefa a ser realizada. Para ela, era obrigação suportar as manifestações sexuais; já, os homens nem se preocupavam com isso. Com a mudança de certos conceitos, o sexo passou a ser considerado como fonte de prazer e, felizmente, alguns critérios tiveram que ser revistos.
Hoje, tal disfunção é responsável por 40% das queixas masculinas presentes nos consultórios dos terapeutas sexuais, gerando vergonha e frustração. Mas, não afeta somente o homem, que deixa de desfrutar de vida sexual plena e satisfatória. Afeta a parceira que fica insatisfeita, impossibilitada de chegar ao seu grau máximo de prazer, e igualmente a relação conjugal.

Conceito

A ejaculação precoce é uma resposta sexual involuntária, persistente e muito rápida em estímulo a excitação mínima que pode acontecer antes ou imediatamente após a penetração e/ou antes do que se deseja. O homem de qualquer idade não percebe que está à beira da ejaculação, sendo incapaz de ter o controle sobre ela.  
Episódios ocasionais não devem ser entendidos como ejaculação precoce, eles podem estar influenciados por circunstâncias temporárias. Mas, quando tal evento passa a ser recorrente, seguido de sofrimento e dificuldade de relacionamento interpessoal, é possível comprovar o diagnóstico.

A grande maioria dos estudiosos concorda que a característica desse quadro é o homem que não consegue controlar, suficientemente, o processo ejaculatório.

O que seria suficientemente? Alguns autores classificam apenas os que não conseguem penetrar antes de ejacular, outros classificam aqueles que são incapazes de conter a ejaculação por mais de três minutos após a penetração ou com menos de 10 a 15 movimentos de penetração. Há também os que classificam objetivando a satisfação da parceira; quando o homem não controla a ejaculação a ponto de satisfazê-la em 50% dos casos. Mas, e se a mulher chegar ao orgasmo logo que penetrada ou tiver uma resposta sexual lenta? Mais justo seria usar como parâmetro a satisfação pessoal – do indivíduo e da parceira – pois o aspecto qualitativo é mais importante do que o quantitativo.

É possível e até natural tornar a ejaculação um ato voluntário. Mas esse aprendizado pode estar perturbado, levando o homem a uma certa fobia de sexo. Assim, a perda do desejo sexual está ligada ao fato da ejaculação ser encarada como uma  prova a ser superada e, também, como a diminuição da sensação orgástica pelo excesso do autocontrole. O sexo é convertido numa prova a ser superada. E, assim, o homem, devido à recorrência, começa a questionar a sua virilidade, o que pode levá-lo à disfunção erétil.

Tipos

  • A ejaculação precoce pode ser dividida em:
  • Primária: Acontece desde o início da vida sexual.
  • Secundária: O homem tinha controle de seu processo ejaculatório e, por certos motivos, deixou de tê-lo.
  • Generalizada: Ocorre sempre, com qualquer parceira.
  • Situacional: Ocorre em situações específicas

Etiologia

  • Na verdade, não existe uma única causa cientificamente comprovada. Evidências apontam para causas concomitantes mas, na maioria dos casos, pode-se afastar causas orgânicas, a não ser quando se trata de uma disfunção secundária.
  • Fatores orgânicos: doenças neurológicas degenerativas, doenças locais (como inflamações do pênis, uretra e da próstata), casos resultantes de cirurgia pélvica, prostatectomia radical (retirada da próstata) e o aumento anormal de sensibilidade da glande peniana.
  • Fatores psicológicos: baixa autoestima, estresse, ansiedade excessiva, autoexigência elevada, desconhecimento do próprio corpo, das sensações que antecedem o orgasmo e das necessidades da parceira, situação sexual, preocupação excessiva com o desempenho, vergonha, inexperiência sexual, culpa, mudança de parceira após uma separação, medo de não conseguir manter a ereção, excesso de desejo, hostilidade da/por sua parceira, desenvolvimento inadequado da sexualidade  e falta de diálogo entre o casal.

Deve-se considerar fatores como a idade, o quão recente é a relação com a parceira e a frequência da atividade sexual. Além desses, valores culturais e pessoais também devem ser pesquisados.

Tratamento

O objetivo é combater a ansiedade existente, desmistificando crenças falsas, e trabalhando os aspectos psicológicos que não estão permitindo um completo funcionamento corporal. Para tanto, a psicoterapia pode estar baseada numa terapia individual, terapia de casal ou, ainda, o conjunto dos dois processos, onde compreensão será a palavra-chave para que o homem possa aprender o seu ritmo e controlar a ejaculação mostrando suas dúvidas e inseguranças.
A melhora de tal quadro demanda um aprendizado e um autoconhecimento, reorientando a função sexual normal. O espaço terapêutico visa facilitar esse aprendizado no sentido de um desenvolvimento pessoal.

Muitas vezes, o processo pode abranger o uso de medicamentos, que deve ser indicado somente mediante prescrição médica criteriosa. Há remédios que prometem diminuir a sensibilidade do pênis. Na verdade, medicações tópicas à base de anestésico não têm comprovação cientifica e de nada adiantaria, pois a disfunção tem fundo psicológico em praticamente todos os casos.
A terapia inclui educação sexual e um conjunto de tarefas visando aprender a controlar a ejaculação e a que o casal encontre o seu ritmo. O objetivo de tais tarefas é permitir que o homem se conheça melhor evitando a recorrência da frustração, passando a controlar voluntariamente o processo ejaculatório, e melhorar a comunicação entre o casal.
A superação de um quadro como esse passa pelo autoconhecimento provocando aprendizado e transformações que vão além da sexualidade.


Dra.Ana Paula Veiga

Psicóloga e Sexóloga

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